quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Desabafo de uma alma obesa

Mesmo emagrecendo, é preciso muito esforço para a construção de uma nova identidade.

Que gordinho, nunca ouviu que tem um rosto lindo, mas que se fosse "normal", seria lindo por inteiro. Como se o caráter tivesse apenas um belo rostinho, né? A sociedade julga, impõe e cedemos aos seus mandamentos.

Nunca fui o famoso gordinho "invisível", até porque a minha facilidade em me comunicar não permitia, mas fui: o melhor amigo, bolinha, gordinho viado. Sempre me perguntei isso, porque todo babaca chama um gordinho de viado? Como se a gordura definisse a condição sexual de um indivíduo.

Hoje, chamam isso de bullying, na minha época era dito "coisa" de criança. Coisa essa, que machucava e muito, porque não adianta alguém dizer para não se magoar. Mas, chega uma hora que a necessidade de mudar acontece, e acredite, é uma "falsa necessidade" de ser aceito.

Sofri por 26 anos para aprender que aceitação tem que ser algo interno, emagrecer não foi tão bom como pensei. É uma doce ilusão de que tudo melhora com a mudança da aparência, comer virou sinônimo de sofrimento e prazer ao mesmo tempo, duas coisas que não podem conviver. Fui fraco e cai na maior armadilha, a ditadura da magreza.

Emagreci de maneira saudável, fazendo reeducação alimentar, mas nada impediu que meu psicológico fosse abalado. E até hoje o medo do "passado" assombra e atormenta a cada mordida, e é a primeira vez que falo isso abertamente, porque vejo a necessidade de outras pessoas não passarem pelo mesmo. Fui gordinho sim, e não tenho vergonha disso.

Porém é importante ressaltar que a obesidade, seja infantil ou em adultos, é uma questão grave e que precisa ser tratada com cuidados médicos. Não estou fazendo apologia, apenas compartilhando alguns sentimentos e situações.

Nunca deixe que os outros te imponham condições para viver, seja feliz do seu jeito!

Foto/ Reprodução: Discovery Esportes

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